Insurgente entrega-se às autoridades de Mocímboa da Praia
Um indivíduo pertencente às fileiras dos grupos armados em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, apresentou-se, nesta segunda-feira, 21 de julho de 2025, de forma voluntária às autoridades locais no distrito de Mocímboa da Praia, acompanhado da sua esposa, grávida de seis meses. No acto de rendição, o ex-insurgente entregou uma arma do tipo AK-47, quatro carregadores municiados, uma granada de mão e mochilas com material militar.
As autoridades garantem que o casal foi acolhido com segurança e recebeu assistência médica, no âmbito dos esforços de reintegração social promovidos pelo Governo.
“Recebemos ontem um insurgente armado que se apresentou voluntariamente junto com a sua esposa. Ele trouxe uma arma do tipo AK-47, quatro carregadores cheios de munição, uma granada de mão e mochilas militares”, disse o administrador de Mocímboa da Praia, Sérgio Cipriano.
Segundo o administrador, o homem revelou que outros insurgentes ainda permanecem nas matas, enfrentando fome e doenças.
“Mas o maior medo deles é de serem mortos se se renderem. Dissemos claramente que isso não vai acontecer - eles serão bem recebidos”, assegurou.
A esposa, grávida de seis meses e com sinais de debilidade física, recebeu atendimento médico prioritário.
“Ambos foram acolhidos com respeito. Demos instruções às nossas forças para que tratem essas pessoas com humanidade, buscando diálogo em vez de força.”
O ex-combatente estaria envolvido nas fileiras insurgentes desde 2020, tendo iniciado como aluno de uma madrassa antes de aderir à luta armada. Agora, segundo as autoridades, ele demonstra arrependimento e desejo de reintegração.
Todo o material bélico foi entregue à Polícia da República de Moçambique, que dará seguimento aos procedimentos. O casal será reintegrado na comunidade, e as autoridades prometem apoio à sua nova vida.
“Se ele for pescador, será apoiado com equipamento. Se for agricultor, vamos ajudá-lo a retomar essa vida. O importante é que, pouco a pouco, nossos irmãos estão retornando do mato ao convívio social”, disse Cipriano.
A autoridade local reforçou ainda o apelo à rendição:
“A nossa mensagem continua a mesma: não nos cansamos de repeti-la - rendam-se, entreguem-se, e vamos reconstruir juntos.”